CASO CLÍNICO: Sala Vermelha – UPA. O paciente João Carlos, 58 anos, pedreiro, com diagnóstico prévio de hipertensão arterial sistêmica há cerca de 10 anos, chega à UPA trazido por familiares, apresentando quadro de piora progressiva nas últimas 24 horas. Segundo relato da esposa, o paciente vinha se queixando de cefaleia intensa desde o dia anterior, associada à tontura e visão turva. Na manhã do atendimento, evoluiu com sonolência, fala lentificada e dificuldade para manter-se em pé, o que motivou a busca imediata pelo serviço de urgência.
Técnico de Enfermagem (SAMU):
“Enfermeiro, estou trazendo paciente com rebaixamento do nível de consciência e queixa prévia de cefaleia intensa.”
Enfermeiro (para técnico):
“Entendido, vamos monitorizar imediatamente. Equipe, é preciso colocar paciente no leito, monitorização cardíaca, oximetria e acesso venoso periférico.”
Técnico de Enfermagem:
“Monitorização instalada. Pressão arterial 220 por 120 mmHg, frequência cardíaca 110 bpm, saturação 95%, frequência respiratória 22 irpm, Temperatura 36,7ºC.”
Enfermeiro:
“Paciente sonolento, mas responde a estímulos verbais. As vias aéreas estão pérvias e ele tem respiração espontânea. Por enquanto, vamos mantê-lo sem oxigenoterapia. Vou acionar o médico!”
Enfermeiro (para o médico):
“Doutor, paciente masculino, 58 anos, hipertenso, provável baixa adesão a tratamento anti-hipertensivo. Chega com rebaixamento de consciência, cefaleia intensa. PA 220 x 120 mmHg.”
…Avaliação médica imediata…
Médico:
“Paciente com Glasgow 14 (pupilas isocóricas e fotorreagentes), pode ser uma emergência hipertensiva com possível acometimento neurológico. Vamos agir rápido.”
Médico (para equipe):
“Preciso de glicemia capilar, ECG, amostra para exames laboratoriais e controle pressórico. Fazer Hidralazina 15 mg intravenosa, diluir 1 ampola (1 ml) em 19 ml de soro fisiológico, fazer infusão intermitente de 5 ml a cada 20 minutos. Já estou prescrevendo.”
Enfermeiro (para o técnico):
“Vamos colher amostra, glicemia e preparar medicação conforme prescrição.”
Técnico de Enfermagem:
“Coletado amostra e Glicemia capilar: 110 mg/dL.”
Médico:
“Iniciar Hidralazina venosa, é importante que ocorra a redução gradual da pressão.”
Técnico de Enfermagem:
“Medicação preparada. Iniciando administração. Monitorização contínua.”
Enfermeiro:
“Certo. Encaminhei a amostra para o laboratório. Vamos aferir pressão a cada 5 minutos inicialmente e observar nível de consciência.”
Técnico de Enfermagem (30 min após medicação):
“Pressão atual: 200 por 110 mmHg.”
…Reavaliação médica…
Médico:
“Redução adequada até o momento. Não podemos reduzir muito rápido para evitar isquemia cerebral.”
Enfermeiro:
“Paciente ainda sonolento, porém responsivo.”
…01 hora após estabilização parcial...
Técnico de Enfermagem (60 min após medicação):
“Pressão 180 por 100 mmHg.”
Enfermeiro:
“Ótimo, melhora progressiva. Vamos mantê-lo em monitorização.”
Médico:
“Solicitei exames de imagem e avaliarei a necessidade de transferência para um hospital de maior complexidade.”
Enfermeiro (para paciente):
“João, sua pressão chegou a níveis muito perigosos. Isso pode causar AVC, infarto ou outros problemas graves.”
Paciente (mais consciente):
“Eu achei que estava melhor e parei de tomar os remédios.”
Enfermeiro (para familiares):
“Familiares do seu João, é fundamental manter o tratamento contínuo dele. Depois da estabilização, vamos orientá-los sobre todo o acompanhamento.”
A fisiopatologia da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) constitui um processo dinâmico e progressivo, que se inicia a partir da interação entre fatores genéticos e ambientais. Indivíduos geneticamente predispostos, quando expostos a condições como ingestão excessiva de sódio, obesidade, sedentarismo e estresse crônico, desenvolvem alterações nos mecanismos reguladores da pressão arterial.
Nesse primeiro momento, ocorre um desequilíbrio entre sistemas vasoconstritores e vasodilatadores, favorecendo a elevação pressórica de forma ainda funcional e potencialmente reversível, podendo estar associado a conhecimento de saúde inadequado (sobre controle da doença), risco de pressão arterial desequilibrada e comportamentos sedentários excessivos.
Nos estágios iniciais da doença, observa-se hiperatividade do sistema nervoso simpático, que desempenha papel central na elevação da pressão arterial. Essa ativação promove aumento da frequência cardíaca, da contratilidade miocárdica e vasoconstrição periférica, resultando em elevação do débito cardíaco e da resistência vascular sistêmica. Esse conjunto de alterações hemodinâmicas marca o início da instalação da hipertensão arterial, podendo relacionar-se ao débito cardíaco aumentado (inicialmente compensatório) e ansiedade, especialmente quando associado ao estresse crônico.
Concomitantemente, ocorre ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), um dos principais mecanismos envolvidos na manutenção da hipertensão. A liberação de renina leva à formação de angiotensina II, potente vasoconstritor, que atua aumentando a resistência vascular periférica. Além disso, a angiotensina II estimula a secreção de aldosterona, promovendo retenção de sódio e água pelos rins, o que resulta em aumento do volume intravascular. Esse processo contribui significativamente para a elevação sustentada da pressão arterial, estando relacionado ao volume de líquidos excessivo.
Com a persistência desses estímulos, instala-se a disfunção endotelial, caracterizada pela perda da capacidade do endotélio vascular de regular adequadamente o tônus dos vasos. Há redução na produção de substâncias vasodilatadoras, como o óxido nítrico, e aumento na liberação de fatores vasoconstritores, como a endotelina. Esse desequilíbrio favorece a manutenção da vasoconstrição e contribui para a progressão da hipertensão, podendo ser associado a perfusão tissular periférica ineficaz.
A exposição crônica a níveis elevados de pressão arterial leva ao remodelamento vascular, caracterizado por alterações estruturais nas paredes dos vasos sanguíneos. Observa-se espessamento da camada média, aumento da deposição de colágeno e redução da elasticidade arterial. Como consequência, há aumento permanente da resistência vascular periférica, o que perpetua e agrava o quadro hipertensivo, tornando-o menos responsivo aos mecanismos compensatórios fisiológicos, sendo compatível com a perfusão tissular ineficaz (cardíaca, cerebral ou periférica).
Os rins também desempenham papel fundamental na cronificação da hipertensão arterial. Com o tempo, ocorre comprometimento da capacidade renal de excretar sódio de forma eficiente, favorecendo a retenção hídrica e a expansão do volume plasmático. Além disso, a redução da perfusão renal mantém a ativação contínua do SRAA, estabelecendo um ciclo vicioso que sustenta níveis elevados de pressão arterial. Nesse contexto, destaca-se o risco de equilíbrio hidroeletrolítico prejudicado.
Como resposta à sobrecarga hemodinâmica crônica, o coração sofre adaptações estruturais, especialmente a hipertrofia ventricular esquerda. Inicialmente, essa hipertrofia é um mecanismo compensatório para vencer o aumento da pós-carga. Entretanto, com a progressão da doença, essa adaptação torna-se prejudicial, podendo evoluir para disfunção diastólica e, posteriormente, insuficiência cardíaca, estando associada ao maior risco de débito cardíaco diminuído e tolerância à atividade diminuída.
Nos estágios mais avançados da HAS, ocorre lesão de órgãos-alvo, decorrente da exposição prolongada à pressão arterial elevada e às alterações vasculares. O coração, os rins, o cérebro e os vasos sanguíneos são os principais órgãos acometidos, podendo resultar em condições como insuficiência cardíaca, doença renal crônica, acidente vascular encefálico e aterosclerose acelerada. Esses desfechos representam as principais complicações da hipertensão arterial e estão associados ao aumento significativo da morbimortalidade, sendo comuns os diagnósticos de risco de perfusão tissular cerebral ineficaz e perfusão tissular periférica ineficaz.
No contexto da evolução da Hipertensão Arterial Sistêmica, podem ocorrer episódios agudos de elevação acentuada da pressão arterial, conhecidos como crise hipertensiva, caracterizados pelo aumento significativo dos níveis pressóricos associado ao risco de morte ou de lesão de órgãos-alvo. Essa condição é classificada em urgência hipertensiva e emergência hipertensiva, podendo envolver maior risco de débito cardíaco diminuído e dor aguda (quando presente).
A urgência hipertensiva refere-se à elevação importante da pressão arterial, geralmente com pressão arterial diastólica ≥ 120 mmHg, porém sem a presença de sintomas graves ou evidências de dano agudo a órgãos-alvo, não havendo risco imediato à vida, embora exista potencial de evolução para complicações.
Já a emergência hipertensiva é definida pela presença de lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo, com comprometimento funcional de sistemas vitais e risco iminente de morte, exigindo redução imediata e controlada da pressão arterial, associando-se a perfusão tissular ineficaz (cerebral, cardíaca ou renal) e troca de gases prejudicada (em casos de edema agudo de pulmão).
Entre os principais quadros associados às emergências hipertensivas destacam-se a encefalopatia hipertensiva, o acidente vascular encefálico (incluindo hemorragia subaracnoidea), as complicações cardiovasculares — como infarto agudo do miocárdio, angina instável, insuficiência ventricular esquerda, dissecção de aorta e edema agudo de pulmão —, além da insuficiência renal aguda, sendo frequentemente identificados diagnósticos como confusão aguda, perfusão tissular cerebral ineficaz, risco de débito cardíaco diminuído e troca de gases prejudicada.
🔴 Sinais de gravidade:
Déficit neurológico focal (suspeita de AVE);
Rebaixamento do nível de consciência;
Dor torácica (SCA ou dissecção);
Dispneia / edema agudo de pulmão;
Oligúria / anúria;
Retinopatia hipertensiva (papiledema);
PA muito elevada com lesão de órgão-alvo.
O manejo clínico da crise hipertensiva deve ser conduzido de forma sistematizada, iniciando-se pela avaliação primária, com foco na estabilização do paciente e na confirmação dos níveis pressóricos. Nesse momento, é fundamental colocar o paciente em repouso em ambiente tranquilo, reduzindo estímulos que possam contribuir para a elevação da pressão arterial, além de repetir a mensuração da pressão para confirmação dos valores inicialmente obtidos.
Na sequência, realiza-se a avaliação secundária, que deve incluir uma abordagem clínica mais detalhada. Recomenda-se a aplicação da entrevista no modelo SAMPLA, com o objetivo de identificar doenças prévias, uso de medicamentos e possíveis fatores desencadeantes. Simultaneamente, deve-se instituir monitorização contínua, incluindo oximetria de pulso, avaliação do ritmo cardíaco e verificação seriada dos sinais vitais, permitindo acompanhamento da evolução clínica do paciente.
Nos casos de urgência hipertensiva, o tratamento pode ser realizado com anti-hipertensivos por via oral, especialmente quando os níveis pressóricos permanecem elevados mesmo após repouso e medidas de tranquilização. O captopril, na dose de 12,5 a 25 mg por via oral, é amplamente utilizado, apresentando início de ação entre 20 e 30 minutos. Em casos em que o captopril não esteja disponível, pode-se considerar o uso de clonidina por via oral.
Por outro lado, nas emergências hipertensivas, caracterizadas por dano agudo a órgãos-alvo e risco iminente à vida, faz-se necessária a utilização de anti-hipertensivos por via intravenosa, de forma isolada ou em associação, conforme o quadro clínico. A hidralazina é considerada droga de escolha em situações como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, sendo administrada na dose de 10 a 20 mg por via intravenosa, com início de ação entre 10 e 30 minutos. Entretanto, seu uso é contraindicado em condições como síndromes isquêmicas miocárdicas agudas, dissecção aguda de aorta e taquicardia grave.
O metoprolol, um betabloqueador, é indicado principalmente quando há necessidade de controle da frequência cardíaca, como em casos de insuficiência coronariana e dissecção de aorta. É administrado por via intravenosa na dose inicial de 5 mg, podendo ser repetido até atingir a dose máxima recomendada. Deve-se ter cautela quanto às contraindicações, incluindo asma, insuficiência cardíaca descompensada, bradicardia e distúrbios de condução atrioventricular, além dos possíveis efeitos adversos, como broncoespasmo e bloqueios cardíacos.
A furosemida, por sua vez, é indicada em situações associadas à sobrecarga volêmica, como insuficiência ventricular esquerda e edema agudo de pulmão, sendo administrada por via intravenosa em doses que variam de 20 a 60 mg. Além disso, em pacientes com componente emocional importante, o uso de benzodiazepínicos, como o diazepam, pode ser útil como medida adjuvante no controle da pressão arterial.
A administração de oxigênio suplementar por máscara não reinalante, em fluxo de 10 a 15 L/min, está indicada nos casos em que a saturação de oxigênio seja inferior a 94%. É importante ressaltar que a redução da pressão arterial deve ser realizada de forma gradual e controlada, uma vez que quedas abruptas podem resultar em hipoperfusão tecidual, levando a eventos isquêmicos e infartos iatrogênicos. O nitroprussiato de sódio é a droga de primeira linha em muitos cenários (encefalopatia hipertensiva, dissecção de aorta), seu uso é comum em UTI 's.
⚠️ Condutas imediatas:
Redução controlada da PA (não abrupta);
Início de anti-hipertensivos intravenosos;
Monitorização contínua;
Investigação rápida de lesão de órgão-alvo;
Encaminhamento para ambiente monitorado (emergência/UTI).
As intervenções de enfermagem na crise hipertensiva devem ser direcionadas ao controle seguro dos níveis pressóricos, à identificação precoce de lesão de órgãos-alvo e à prevenção de complicações decorrentes tanto da hipertensão quanto de sua redução inadequada. A atuação deve ser sistematizada, contínua e orientada pela gravidade do quadro clínico.
A equipe deve verificar se o paciente apresenta via aérea pérvia e protegida. Em pacientes com rebaixamento do nível de consciência ou sinais neurológicos graves, há risco de comprometimento da via aérea, sendo necessária vigilância contínua. A comunicação acolhedora e calma também se insere nesse momento, pois contribui para reduzir ansiedade e evitar piora clínica. O enfermeiro, ao abordar o paciente de forma tranquila e segura, auxilia no controle da agitação e da ativação simpática, favorecendo a estabilidade clínica.
Deve-se avaliar padrão respiratório, frequência, esforço ventilatório e presença de dispneia. Em casos de complicações como edema agudo de pulmão, a intervenção rápida é essencial. A enfermagem deve posicionar o paciente com a cabeceira elevada, promover ambiente calmo e monitorar sinais de desconforto respiratório, além de observar a saturação de oxigênio e comunicar alterações à equipe, bem como administrar oxigênio suplementar quando saturação < 94%, conforme prescrição. A redução de estímulos ambientais também contribui para a melhora do padrão respiratório e diminuição da sobrecarga fisiológica.
Os cuidados de enfermagem relacionados ao uso de Diazepam devem priorizar a monitorização respiratória contínua, devido ao risco de depressão respiratória associado ao medicamento, especialmente em pacientes idosos, debilitados ou em uso concomitante de outros depressores do sistema nervoso central. Durante a administração intravenosa, o medicamento deve ser administrado sem diluição e de forma lenta, em um período aproximado de 2 a 5 minutos, minimizando o risco de hipotensão, sedação excessiva e depressão cardiorrespiratória. A enfermagem deve garantir que o diazepam seja administrado isoladamente na via intravenosa, evitando incompatibilidades medicamentosas e precipitações.
A etapa C (Circulation – circulação) é central na crise hipertensiva. Inclui a aferição rigorosa da pressão arterial com técnica adequada, uso de manguito apropriado e, preferencialmente, verificação em ambos os membros superiores na avaliação inicial. A monitorização deve ser seriada e frequente: a cada 15 a 30 minutos em casos menos graves e a cada 5 a 15 minutos em pacientes em uso de medicação endovenosa.
A obtenção de acesso venoso periférico calibroso e seguro é indispensável, geralmente com jelco 20–22G, garantindo via para administração medicamentosa. A enfermagem deve monitorar a resposta terapêutica, assegurando redução gradual da pressão arterial (20–25% na primeira hora), evitando quedas abruptas que possam causar hipoperfusão. Também é essencial a avaliação contínua do acesso venoso, utilizando, por exemplo, a Escala de Maddox para prevenção de flebite.
Os cuidados de enfermagem relacionados ao uso de Captopril, Clonidina, Hidralazina, Metoprolol e/ou Furosemida devem priorizar a monitorização hemodinâmica e a orientação adequada ao paciente. A equipe de enfermagem deve estar atenta à ocorrência de hipotensão ortostática, orientando o paciente a levantar-se lentamente para evitar tonturas e quedas. Em situações de crise hipertensiva, é importante orientar sobre possíveis efeitos adversos do Captopril, como tosse seca persistente e alteração do paladar (disgeusia), manifestações relativamente frequentes durante o tratamento.
Os cuidados relacionados à administração de Hidralazina envolvem preparo adequado da medicação, devendo-se diluir uma ampola de 1 ml em 19 ml de água destilada, conforme recomendação institucional. A administração intravenosa deve ocorrer lentamente, em aproximadamente 5 minutos, reduzindo o risco de hipotensão abrupta e efeitos cardiovasculares adversos. Durante o manejo da crise hipertensiva, pode-se realizar infusão intermitente de 5 ml a cada 20 minutos até o controle pressórico, sempre sob monitorização rigorosa.
Em relação ao uso de Metoprolol, também é importante avaliar a perfusão periférica, observando temperatura, coloração da pele e enchimento capilar, considerando o potencial de redução do débito cardíaco e vasoconstrição periférica. A administração intravenosa deve ser realizada lentamente, entre 2 e 5 minutos, minimizando alterações hemodinâmicas bruscas. A equipe de enfermagem deve observar sinais de fadiga, tontura, fraqueza e intolerância à atividade, sintomas frequentemente associados ao efeito beta-bloqueador. Além disso, o medicamento não deve ser suspenso abruptamente, pois a interrupção repentina pode desencadear efeito rebote, agravamento da hipertensão e eventos cardiovasculares importantes.
Os cuidados de enfermagem na administração de Furosemida incluem administração intravenosa lenta, visando reduzir o risco de ototoxicidade e alterações hemodinâmicas. O medicamento pode ser administrado sem diluição ou diluído em 10 ml de solução fisiológica, conforme protocolo institucional e avaliação clínica do paciente. A enfermagem também deve observar sinais de desidratação, alterações do débito urinário e possíveis distúrbios eletrolíticos, especialmente hipocalemia, mantendo vigilância contínua sobre o estado hemodinâmico e equilíbrio hídrico do paciente.
A enfermagem deve monitorar nível de consciência, presença de cefaleia intensa, alterações visuais, déficit neurológico focal, confusão ou sonolência. Esses sinais são fundamentais para identificar lesão de órgãos-alvo e diferenciar urgência de emergência hipertensiva. A observação de sintomas como tontura, síncope ou piora neurológica também pode indicar redução excessiva da pressão arterial durante o tratamento, exigindo intervenção imediata.
Se o paciente estiver em uso de Clonidina ou Diazepam, aumenta-se o risco de sedação, sonolência e redução do estado de alerta. Recomenda-se auxiliar o paciente na deambulação devido ao risco aumentado de tontura, instabilidade postural e quedas decorrentes da hipotensão e sedação. Medidas de segurança devem ser implementadas para garantir proteção e prevenção de acidentes durante o tratamento.
O paciente deve ser avaliado de forma global, identificando sinais clínicos adicionais, como dor torácica, oligúria ou alterações cutâneas. Simultaneamente, deve-se garantir conforto térmico, privacidade e redução de estímulos externos. Manter o paciente em repouso, em ambiente calmo, com iluminação reduzida e menor ruído, é uma intervenção essencial para controle da pressão arterial. A equipe deve evitar abordagens simultâneas excessivas e promover um cuidado organizado e tranquilo.
Por fim, o cuidado se completa com a continuidade assistencial, na qual se destaca o registro sistematizado de todas as ações. A enfermagem deve documentar detalhadamente os níveis pressóricos, horários das aferições, intervenções realizadas, medicamentos administrados e resposta clínica do paciente. Esse registro permite acompanhamento evolutivo preciso, acompanhamento da redução progressiva da pressão arterial (por exemplo, de 210x120 mmHg para 160x100 mmHg em uma hora), além de subsidiar decisões clínicas seguras e garantir a qualidade da assistência prestada.
🟡 Erros comuns:
Reduzir a pressão arterial de forma rápida e excessiva;
Tratar apenas o número da PA, ignorando sintomas;
Não diferenciar urgência de emergência hipertensiva;
Não monitorar sinais de hipoperfusão após tratamento.
Nervoso
Manutenção ou recuperação progressiva do nível de consciência, com melhora do estado de alerta e orientação têmporo-espacial. Espera-se também a ausência de déficit neurológico focal progressivo, regressão da cefaleia intensa e da tontura, além da prevenção de complicações cerebrovasculares graves, como acidente vascular encefálico. A redução gradual e controlada da pressão arterial é essencial para evitar hipoperfusão cerebral e eventos isquêmicos secundários ao tratamento.
Cardiovascular
Objetiva-se a estabilidade hemodinâmica evidenciada por frequência cardíaca adequada, perfusão periférica preservada e retorno dos níveis pressóricos a valores seguros, com redução aproximada de 20 a 25% na primeira hora, sem quedas abruptas. Busca-se ausência de dor torácica, sinais de insuficiência cardíaca ou arritmias, além da preservação da função miocárdica e prevenção de complicações como infarto agudo do miocárdio e dissecção de aorta.
Respiratório
Espera-se manutenção da oxigenação adequada, com saturação periférica de oxigênio igual ou superior a 94%, frequência respiratória dentro dos parâmetros normais e ausência de desconforto respiratório. Em pacientes com complicações associadas, como edema agudo de pulmão, objetiva-se melhora progressiva da dispneia e da troca gasosa, com resposta satisfatória às intervenções terapêuticas instituídas.
Digestório
Ausência de náuseas, vômitos ou alterações gastrointestinais associadas à elevação pressórica ou aos efeitos adversos das medicações utilizadas. Espera-se que o paciente mantenha tolerância à dieta conforme evolução clínica, com reintrodução alimentar gradual após estabilização, respeitando as restrições pertinentes ao quadro, como a redução de sódio na dieta como medida adjuvante no controle da pressão arterial.
Geniturinário
Busca-se manutenção de débito urinário satisfatório, indicando preservação da função renal e adequada perfusão dos rins. Em pacientes em uso de diuréticos como a furosemida, espera-se resposta diurética adequada sem sinais de desidratação ou distúrbios eletrolíticos significativos. Objetiva-se também ausência de progressão para insuficiência renal aguda, com parâmetros laboratoriais de função renal estáveis ou em melhora.
Tegumentar
Pele apresente coloração, temperatura e umidade adequadas, sem sinais de cianose, palidez intensa ou rubor, indicativos de comprometimento circulatório periférico. Em relação ao acesso venoso periférico, espera-se ausência de flebite, extravasamento ou sinais inflamatórios locais, com manutenção de via patente e segura para a administração das terapêuticas prescritas.
Endócrino
Equilíbrio dos mecanismos neuro-hormonais envolvidos na regulação pressórica, com redução da hiperatividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático em resposta ao controle pressórico. Em pacientes com comorbidades associadas, como diabetes mellitus, busca-se manutenção da glicemia dentro dos parâmetros adequados, prevenindo hipoglicemia ou hiperglicemia que possam interferir na evolução clínica.
Muscular
Espera-se ausência de fraqueza muscular intensa, cãibras ou sinais de hipoperfusão musculoesquelética decorrentes de redução excessiva da pressão arterial. Em pacientes em uso de betabloqueadores, como o metoprolol, espera-se monitoramento de sinais de fadiga e intolerância ao esforço, com orientação adequada sobre limitações temporárias da atividade física durante a fase aguda do tratamento.
Esquelético
Espera-se prevenção de quedas e traumas osteoarticulares, especialmente em pacientes que apresentem tontura, hipotensão ortostática ou sedação decorrentes do quadro clínico ou das medicações em uso. Medidas de segurança no leito, como grades elevadas e orientação sobre mudanças de posição de forma lenta e gradual, são essenciais para preservar a integridade física do paciente durante a internação.
Espera-se redução da ansiedade, agitação e tensão emocional do paciente, promovendo um estado de maior tranquilidade e cooperação com a equipe de saúde. A abordagem acolhedora, a comunicação clara e a orientação sobre o quadro clínico contribuem para o vínculo terapêutico e para a adesão ao tratamento. Espera-se também que o paciente demonstre compreensão sobre sua condição, reconhecendo a importância da continuidade do tratamento anti-hipertensivo e das mudanças no estilo de vida.
Espera-se o envolvimento ativo dos familiares e da rede de apoio no processo de cuidado, com orientações claras sobre a doença, a importância da adesão medicamentosa e os sinais de alerta para novas crises. Espera-se que o paciente tenha acesso garantido ao seguimento ambulatorial após a alta, com condições favoráveis para a manutenção do tratamento no contexto familiar e comunitário, minimizando fatores socioeconômicos que possam comprometer a adesão terapêutica.
Espera-se que o paciente e seus familiares encontrem suporte emocional e espiritual durante o processo de adoecimento, respeitando suas crenças, valores e práticas religiosas. A equipe de enfermagem deve estar atenta às necessidades espirituais do paciente, promovendo escuta ativa, presença humanizada e, quando solicitado, viabilizando o acesso a suporte espiritual ou religioso. Esse cuidado integral contribui para o bem-estar global do paciente, fortalece a resiliência diante do adoecimento e favorece a adesão ao tratamento a longo prazo.